A guerra de Krillin
(Revisado pela Jessica)
Geralmente jabutis são criaturas mal-humoradas. Convivo com um desses seres desde que minha filha avistou uma inocente "tartaruguinha" exposta numa caixa de papelão numa feira-livre, há doze anos. Eu moro num pequeno apartamento no subúrbio, onde em determinado momento, após a onda dos hamsters, do cocker spaniel com graves problemas psicológicos que não conseguia andar sem destruir metade do que encostava − e que morderia a própria sombra se ela tivesse mais que duas dimensões − estabilizamos a cota da fauna local em dois Shi-tzus e o jabuti rabugento. Para sua infelicidade o cágado foi batizado quando o anime japonês da série Dragon Ball estava no auge. Chamaram-no de Krillin, em homenagem ao careca baixinho amigo do Goku.
O primeiro shih-tzu chegou na minha casa há uns oito anos.
O segundo, há cerca de um ano e meio. Por alguma ordem cósmica subjacente a realidade metafísica, o primeiro cachorro é um exemplo de docilidade e gentileza. Um príncipe dentre os shih-tzus. O segundo, no entanto, uma cadela, a quinta-essência da infernalidade.
Irriquieta, bagunceira, atroz perseguidora de pombos, lutadora exímia que treina continuamente seus golpes de Krav-Shih-tzu com o coitado do Spik, o príncipe, e sobretudo, inimiga mortal do rabugento cágado.
Não sei exatamente quem deu inicio a guerra; Guerra que já se prolonga há um ano e meio.
Talvez tenha se iniciado depois da incorrigível cadelinha ter tentado arrancar pela enésima vez a cabeça do primeiro animal de estimação habitante do pequeno apartamento, ou tenha acontecido após o Krillin ter empurrado a cadela dormindo numa de suas indesviáveis rotas no interior do apartamento.
Existem, na realidade, estradas ou pistas invisíveis no chão do apartamento, rotas pelas quais o cágado realiza suas incursões diárias para roubar a comida dos cachorros e beber sua água, além de arrastar cadeiras e necessariamente derrubar o violão; talvez, por uma vocação musical incompreendida, ou porque acha divertido, pelo menos nas 123 vezes que o instrumento foi tombado pelo chão. Inclusive, se ele vir o violão em pé em qualquer posição dentro do apartamento é para o infeliz que se dirigirá com o fim de derrubá-lo.
O estressado animal iniciou uma campanha solitária pela expulsão da cadelinha: tem dispendido esforços consideráveis em irritá-la. A questão principal nessa cruzada pessoal – nós– os demais habitantes do apartamento, sofremos arrabalde.
Com o desenvolvimento de suas sinistras táticas de guerra o carapacento animal aprendeu a desligar ventiladores puxando-os da tomada. E num momento de genialidade, desconfiando do tempo que ficávamos diante dos monitores dos computadores na sala − a suprema ofensa − aprendeu, criatura autodidata, a desligar o provedor da internet desconectando o fio que liga o modem á rede telefônica. Não satisfeito, aprendeu a desligar após, também, o computador.
Sim. Já imaginamos qual seria o gosto da sopa de tartaruga ou em usar a carapaça do animal para construção de um exótico bandolim, mas votamos pela pena de prisão domiciliar. Quando ficamos cansados de ouvir suas patinhas arrastando no chão tentando mover o sofá encostado na parede, contra a parede, colocamo-la no box do banheiro e fechamos a porta. Infelizmente os recursos ilimitados dessa criatura mutante foram, incompreensivelmente, subestimados. Já deveríamos estar acostumados.
O jabuti aprendeu a abrir a porta do Box.
E a guerra de Krillin continua...
Welington J F.
A
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Certa pessoa e outro dia de trilha...Based on real events .
Based on real events ...
After years of a sedentary life, an act of unexpected boldness, we heard the story of one person starring a unique moment in a ride in the Tijuca forest, That was marked, despite the company of friends, of a singular behavior that despite not appear one unusual attitude, hid an inner drama, the not revealed story that if not for the innate ability of certain investigative listener, her behavior would be hidden within the sands of time. The unusual behavior of certain person on the path of ascent chosen in the Tijuca forest,was the silence of the protagonist during the climb. The protagonist always speaks. This is one of the basic marks of his character, the ability to comment on any situations experienced the instant they happen, every day. But ... not on this day. Certain person went up the trail at mystical silence. What caused the questioning of the listener about the inner motivation for that silence. For that strange moment of silence.
Among the many possibilities, one appeared to be the most plausible, and following your intuition the listener interpreted this silence according to an interpretation of biophysics. A field little explored by science, the biophysics study, among other things, the the transformation of energy and his conservation within biological systems.
The listener realized that behind the silence of trilheira newbie, the neophyte in forest expeditions, paraphrasing the "neophyte" in the biblical sense, unraveled is an existential battle of epic proportions unimagined. There in the macrocosm inside the girl about ¼ century weighing on the organic structures that give support biological life was an outstanding and thankless struggle for power conservation required for the next step could be given while blood cells run over by an increase in pressure in a breakneck pace, flowed in profusion toward hyperventilated lungs to absorb the maximum amount of oxygen that would be able to feed the guidance systems and even consciousness during the grueling climb. That is, the girl did not speak in order to concentrate on other important physiological activities such as BREATHE. There thesis that thought and brain activity takes energy, and this activity coupled with all the mechanical energy necessary to transform this activity into words, would drain significant amounts of energy that now This person, whose name we will not release as a matter of professional ethics, as well as honoring the Doramas Koreans who used the term "that person" a substitute so very interesting. The silence in this case would mean that necessary functions, for example, the left eye view, continue operating while precious energy levels were saved for maintaining balance during the ascent. Regarding the right eye view - we believe it would have been selectively turned off to save energy. We believe that silence also implied in the concentration required for the reorganization of the internal energy levels, an amazing resource management, as a great ship attacked by Klingons would need to redirect their energy to support the damaged systems. So When investigating the tremendous silence of the newcomer what we can see is a fight waged, lonely, hidden, unseen, for the necessary energy conservation, maybe even for the non-collapse of the biological system, which would bring the inconvenience of a blackout during the walk. This person made it to the end of the trail and later accounts testify that after her being fed and moisturize the vocal feature was "rewired" and the neo-walker can make a few comments on the track ...
Baseada em fatos reais...
Após anos de uma vida de sedentarismo, num ato de imprevista ousadia, ouvimos a história de Certa Pessoa protagonizando um momento único numa subida na floresta da Tijuca que foi marcado, apesar da companhia dos amigos, de um comportamento singular que apesar de não aparentar uma atitude incomum escondia um drama interior, uma história não revelada que se não fosse a capacidade investigativa inata de certo ouvinte, ficaria oculta dentro das areias do tempo. O comportamento incomum marca dessa caminhada, na subida da trilha escolhida na floresta da Tijuca, foi o silencio da protagonista durante a escalada. A protagonista sempre fala. Isso é uma das marcas básicas de seu caráter, a capacidade de comentar quaisquer situações vividas no instante em que elas acontecem, cotidianamente. Porém... Não neste dia. Certa Pessoa subiu a trilha em absoluto e místico silencio. O que gerou no ouvinte o questionamento a respeito da motivação interior para esse silenciar. Para esse estranho momento de silencio. Dentre as muitas possibilidades uma pareceu ser a mais plausível, e seguindo sua intuição o ouvinte da história interpretou esse silencio segundo uma interpretação de biofísica. Um campo pouco explorado pela ciência, a biofísica estuda, entre outros aspectos, o a transformação e a conservação de energia dentro de sistemas biológicos. O ouvinte compreendeu que por detrás do silencio da trilheira novata, da neófita em expedições florestais, parafraseando o "neófito" no sentido bíblico do termo, descortinava-se uma batalha existencial de proporções épicas inimaginadas. Ali no macrocosmos interior da moça com cerca de ¼ de século pesando sobre as estruturas orgânicas que lhe dão suporte a vida biológica havia um luta insigne e ingrata para conservação de energia necessária para que o próximo passo pudesse ser dado enquanto células sanguíneas atropeladas pelo aumento de pressão, num ritmo alucinante, afluíam em profusão em direção a pulmões hiperventilados para absorção da máxima quantidade de oxigênio que fosse capaz de alimentar os sistemas de orientação e até mesmo a consciência durante a estafante subida. Ou seja, a moça não falava para poder concentrar-se em outras importantes atividades fisiológicas, tais como, RESPIRAR. Há teses de que o pensamento e a atividade cerebral gasta energia, e essa atividade somada a toda a energia mecânica necessária para transformar essa atividade em palavras, drenaria importantes quantidades de energia que agora Essa Pessoa, cujo nome nós não iremos divulgar por uma questão de ética profissional, e também homenageando os Doramas Coreanos que usavam o termo "essa pessoa" de um modo substitutivo bem interessante. O silencio nesse caso significaria que funções necessárias, como por exemplo, a visão do olho esquerdo, continuasse funcionando enquanto preciosos níveis de energia eram poupados para a manutenção do equilíbrio durante a subida. Com relação da visão do olho direito - acreditamos que teria sido seletivamente desligada para poupar energia. Acreditamos que o silencio também implicasse na concentração necessária para a reorganização dos níveis internos de energia, numa surpreendente administração dos recursos, como numa grande nave atacada pelos klingons que necessitaria redirecionar sua energia para sustentação dos sistemas avariados. Então ao verificarmos o tremendo silencio da novata o que podemos perceber é uma luta travada, solitária, oculta, incognoscível, para a conservação de energia necessária, talvez até mesmo para o não colapso do sistema biológico, que traria o inconveniente de um desmaio, durante a caminhada. Essa Pessoa conseguiu chegar ao fim da trilha e relatos posteriores testemunham que após ser alimentada e se hidratar o recurso vocal foi "religado" e a neo-caminhante pode tecer alguns comentários sobre a trilha...
After years of a sedentary life, an act of unexpected boldness, we heard the story of one person starring a unique moment in a ride in the Tijuca forest, That was marked, despite the company of friends, of a singular behavior that despite not appear one unusual attitude, hid an inner drama, the not revealed story that if not for the innate ability of certain investigative listener, her behavior would be hidden within the sands of time. The unusual behavior of certain person on the path of ascent chosen in the Tijuca forest,was the silence of the protagonist during the climb. The protagonist always speaks. This is one of the basic marks of his character, the ability to comment on any situations experienced the instant they happen, every day. But ... not on this day. Certain person went up the trail at mystical silence. What caused the questioning of the listener about the inner motivation for that silence. For that strange moment of silence.
Among the many possibilities, one appeared to be the most plausible, and following your intuition the listener interpreted this silence according to an interpretation of biophysics. A field little explored by science, the biophysics study, among other things, the the transformation of energy and his conservation within biological systems.
The listener realized that behind the silence of trilheira newbie, the neophyte in forest expeditions, paraphrasing the "neophyte" in the biblical sense, unraveled is an existential battle of epic proportions unimagined. There in the macrocosm inside the girl about ¼ century weighing on the organic structures that give support biological life was an outstanding and thankless struggle for power conservation required for the next step could be given while blood cells run over by an increase in pressure in a breakneck pace, flowed in profusion toward hyperventilated lungs to absorb the maximum amount of oxygen that would be able to feed the guidance systems and even consciousness during the grueling climb. That is, the girl did not speak in order to concentrate on other important physiological activities such as BREATHE. There thesis that thought and brain activity takes energy, and this activity coupled with all the mechanical energy necessary to transform this activity into words, would drain significant amounts of energy that now This person, whose name we will not release as a matter of professional ethics, as well as honoring the Doramas Koreans who used the term "that person" a substitute so very interesting. The silence in this case would mean that necessary functions, for example, the left eye view, continue operating while precious energy levels were saved for maintaining balance during the ascent. Regarding the right eye view - we believe it would have been selectively turned off to save energy. We believe that silence also implied in the concentration required for the reorganization of the internal energy levels, an amazing resource management, as a great ship attacked by Klingons would need to redirect their energy to support the damaged systems. So When investigating the tremendous silence of the newcomer what we can see is a fight waged, lonely, hidden, unseen, for the necessary energy conservation, maybe even for the non-collapse of the biological system, which would bring the inconvenience of a blackout during the walk. This person made it to the end of the trail and later accounts testify that after her being fed and moisturize the vocal feature was "rewired" and the neo-walker can make a few comments on the track ...
Baseada em fatos reais...
Após anos de uma vida de sedentarismo, num ato de imprevista ousadia, ouvimos a história de Certa Pessoa protagonizando um momento único numa subida na floresta da Tijuca que foi marcado, apesar da companhia dos amigos, de um comportamento singular que apesar de não aparentar uma atitude incomum escondia um drama interior, uma história não revelada que se não fosse a capacidade investigativa inata de certo ouvinte, ficaria oculta dentro das areias do tempo. O comportamento incomum marca dessa caminhada, na subida da trilha escolhida na floresta da Tijuca, foi o silencio da protagonista durante a escalada. A protagonista sempre fala. Isso é uma das marcas básicas de seu caráter, a capacidade de comentar quaisquer situações vividas no instante em que elas acontecem, cotidianamente. Porém... Não neste dia. Certa Pessoa subiu a trilha em absoluto e místico silencio. O que gerou no ouvinte o questionamento a respeito da motivação interior para esse silenciar. Para esse estranho momento de silencio. Dentre as muitas possibilidades uma pareceu ser a mais plausível, e seguindo sua intuição o ouvinte da história interpretou esse silencio segundo uma interpretação de biofísica. Um campo pouco explorado pela ciência, a biofísica estuda, entre outros aspectos, o a transformação e a conservação de energia dentro de sistemas biológicos. O ouvinte compreendeu que por detrás do silencio da trilheira novata, da neófita em expedições florestais, parafraseando o "neófito" no sentido bíblico do termo, descortinava-se uma batalha existencial de proporções épicas inimaginadas. Ali no macrocosmos interior da moça com cerca de ¼ de século pesando sobre as estruturas orgânicas que lhe dão suporte a vida biológica havia um luta insigne e ingrata para conservação de energia necessária para que o próximo passo pudesse ser dado enquanto células sanguíneas atropeladas pelo aumento de pressão, num ritmo alucinante, afluíam em profusão em direção a pulmões hiperventilados para absorção da máxima quantidade de oxigênio que fosse capaz de alimentar os sistemas de orientação e até mesmo a consciência durante a estafante subida. Ou seja, a moça não falava para poder concentrar-se em outras importantes atividades fisiológicas, tais como, RESPIRAR. Há teses de que o pensamento e a atividade cerebral gasta energia, e essa atividade somada a toda a energia mecânica necessária para transformar essa atividade em palavras, drenaria importantes quantidades de energia que agora Essa Pessoa, cujo nome nós não iremos divulgar por uma questão de ética profissional, e também homenageando os Doramas Coreanos que usavam o termo "essa pessoa" de um modo substitutivo bem interessante. O silencio nesse caso significaria que funções necessárias, como por exemplo, a visão do olho esquerdo, continuasse funcionando enquanto preciosos níveis de energia eram poupados para a manutenção do equilíbrio durante a subida. Com relação da visão do olho direito - acreditamos que teria sido seletivamente desligada para poupar energia. Acreditamos que o silencio também implicasse na concentração necessária para a reorganização dos níveis internos de energia, numa surpreendente administração dos recursos, como numa grande nave atacada pelos klingons que necessitaria redirecionar sua energia para sustentação dos sistemas avariados. Então ao verificarmos o tremendo silencio da novata o que podemos perceber é uma luta travada, solitária, oculta, incognoscível, para a conservação de energia necessária, talvez até mesmo para o não colapso do sistema biológico, que traria o inconveniente de um desmaio, durante a caminhada. Essa Pessoa conseguiu chegar ao fim da trilha e relatos posteriores testemunham que após ser alimentada e se hidratar o recurso vocal foi "religado" e a neo-caminhante pode tecer alguns comentários sobre a trilha...
sexta-feira, 24 de abril de 2015
Mas uma é a minha pomba!
1. 6:9אחת היא יונתי תמתי אחת היא לאמה ברה היא ליולדתה ראוה בנות ויאשׁרוה מלכות ופילגשׁים ויהללוה׃ 2. Akhat hi yonati...
Posted by Cântico dos Cânticos on Quarta, 22 de abril de 2015
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Sobre o Mark
Hoje descobri uma coisa sobre meu namorado que nenhuma garota deveria descobrir

Mark era o homem dos meus sonhos. Gentil, amável e atencioso. O suficiente para deixar todas as minhas amigas com inveja. Mas hoje, uma coisa terrível aconteceu, que eu não desejaria nem ao meu pior inimigo. Descobri uma coisa sobre Mark que irá mudar para sempre minha opinião sobre ele, e que acabou de uma vez por todas com minha capacidade de confiar nos homens.
Logo após o jantar, minha melhor amiga Jessica me ligou e disse que tinha algumas novidades para me contar sobre Mark. Implorei-a para que me contasse pelo telefone, mas ela insistiu, dizendo que tinha que ser pessoalmente. Assim, nos encontramos uma hora depois na nossa cafeteria preferida, o Jitterbug Cafe, para tomar um capuccino e curtir música ao vivo com voz e violão em uma noite de sexta. No entanto, hoje à noite o som da música ao vivo com voz e violão foi substituído pelo som de lágrimas, fungadas, lenços de papel sendo tirados de pacotinhos e outros sons que indicam que algo triste está acontecendo.
Foi lá na cafeteria que Jessica me deu a má notícia: Mark é, na verdade, apenas algumas salsichas enfiadas dentro de um suéter de lã.
No começo, não consegui acreditar nas palavras que ela estava dizendo. Já tinha ouvido falar de garotas que passaram pela mesma situação, mas nunca imaginei que o mesmo fosse acontecer comigo. Mas quanto mais eu pensava, mais as pistas começavam a surgir, uma por uma: o cheiro de salsicha velha que ele tinha de vez em quando, a forma como ele sempre se recusava a falar e a sua incapacidade de andar pela casa por vontade própria.
Pedi a Jessica para que me explicasse como descobriu a verdade sobre Mark. Ela me contou que começou a ligar os pontos quando observou uma conversa por mensagens de texto entre eu e Mark. Disse que Mark não respondia a nenhuma mensagem que eu enviava. Isso porque ele é só um amontoado de salsichas velhas, e salsichas não podem mandar mensagens de texto.
E mesmo que Mark tivesse sido o craque do time de basquete da nossa escola, ninguém se lembrava de tê-lo visto participando de um jogo. Ele apenas ficava sentado na lateral da quadra, comportamento típico de uma pessoa que não é uma pessoa de verdade, mas apenas algumas salsichas genéricas dentro de um mini suéter.
Mas talvez o momento mais revelador tenha acontecido semana passada, no acampamento de Nolan, quando Mark chegou a ser confundido de verdade por um pacote de salsichas. Todos nós rimos. "Que hilário! A Rachel confundiu o Mark com um pacote de salsichas! Pega leve na bebida, Rachel!" E ainda que Rachel dê mostras de que realmente tem um problema com o álcool, foi naquela noite que Jessica finalmente descobriu a verdade sobre Mark.
É uma realidade que muitas garotas enfrentam hoje em dia: em algum lugar, alguém está tricotando pequenos suéteres de lã, enchendo-os com salsichas e os colocando em circulação como se fossem pessoas de verdade. Normalmente eles são ignorados, sem rosto em um infinito mar de pessoas. Você pode se sentar ao lado de um deles em um ônibus lotado sem nem ao menos perceber. Mas às vezes, eles são paquerados por garotas jovens e vulneráveis, cujo único erro é estar em busca de amor num mundo tão frio como esse.
Achei de verdade que ia me casar com Mark, e que ele seria o cara. Meus amigos se davam bem com ele, e minha família o aprovou. Nunca pensei que ele fosse fazer isso comigo: revelar que era só algumas salsichas enfiadas em um suéter de bebê. Mas acho que se teve alguma coisa que aprendi com todo esse sofrimento, é que nem todos são aquilo que você imagina que são.

Mark era o homem dos meus sonhos. Gentil, amável e atencioso. O suficiente para deixar todas as minhas amigas com inveja. Mas hoje, uma coisa terrível aconteceu, que eu não desejaria nem ao meu pior inimigo. Descobri uma coisa sobre Mark que irá mudar para sempre minha opinião sobre ele, e que acabou de uma vez por todas com minha capacidade de confiar nos homens.
Logo após o jantar, minha melhor amiga Jessica me ligou e disse que tinha algumas novidades para me contar sobre Mark. Implorei-a para que me contasse pelo telefone, mas ela insistiu, dizendo que tinha que ser pessoalmente. Assim, nos encontramos uma hora depois na nossa cafeteria preferida, o Jitterbug Cafe, para tomar um capuccino e curtir música ao vivo com voz e violão em uma noite de sexta. No entanto, hoje à noite o som da música ao vivo com voz e violão foi substituído pelo som de lágrimas, fungadas, lenços de papel sendo tirados de pacotinhos e outros sons que indicam que algo triste está acontecendo.
Foi lá na cafeteria que Jessica me deu a má notícia: Mark é, na verdade, apenas algumas salsichas enfiadas dentro de um suéter de lã.
No começo, não consegui acreditar nas palavras que ela estava dizendo. Já tinha ouvido falar de garotas que passaram pela mesma situação, mas nunca imaginei que o mesmo fosse acontecer comigo. Mas quanto mais eu pensava, mais as pistas começavam a surgir, uma por uma: o cheiro de salsicha velha que ele tinha de vez em quando, a forma como ele sempre se recusava a falar e a sua incapacidade de andar pela casa por vontade própria.
Pedi a Jessica para que me explicasse como descobriu a verdade sobre Mark. Ela me contou que começou a ligar os pontos quando observou uma conversa por mensagens de texto entre eu e Mark. Disse que Mark não respondia a nenhuma mensagem que eu enviava. Isso porque ele é só um amontoado de salsichas velhas, e salsichas não podem mandar mensagens de texto.
E mesmo que Mark tivesse sido o craque do time de basquete da nossa escola, ninguém se lembrava de tê-lo visto participando de um jogo. Ele apenas ficava sentado na lateral da quadra, comportamento típico de uma pessoa que não é uma pessoa de verdade, mas apenas algumas salsichas genéricas dentro de um mini suéter.
Mas talvez o momento mais revelador tenha acontecido semana passada, no acampamento de Nolan, quando Mark chegou a ser confundido de verdade por um pacote de salsichas. Todos nós rimos. "Que hilário! A Rachel confundiu o Mark com um pacote de salsichas! Pega leve na bebida, Rachel!" E ainda que Rachel dê mostras de que realmente tem um problema com o álcool, foi naquela noite que Jessica finalmente descobriu a verdade sobre Mark.
É uma realidade que muitas garotas enfrentam hoje em dia: em algum lugar, alguém está tricotando pequenos suéteres de lã, enchendo-os com salsichas e os colocando em circulação como se fossem pessoas de verdade. Normalmente eles são ignorados, sem rosto em um infinito mar de pessoas. Você pode se sentar ao lado de um deles em um ônibus lotado sem nem ao menos perceber. Mas às vezes, eles são paquerados por garotas jovens e vulneráveis, cujo único erro é estar em busca de amor num mundo tão frio como esse.
Achei de verdade que ia me casar com Mark, e que ele seria o cara. Meus amigos se davam bem com ele, e minha família o aprovou. Nunca pensei que ele fosse fazer isso comigo: revelar que era só algumas salsichas enfiadas em um suéter de bebê. Mas acho que se teve alguma coisa que aprendi com todo esse sofrimento, é que nem todos são aquilo que você imagina que são.
E eu com isso, Phebo?
E eu com isso, Phebo? –
Sobre uma ode de Odílio
Desfraldaram inúmeras bandeiras retalhadas, cobertas de poeira e musgo, desbotadas,
carregadas trôpegas pelas mãos cobertas luvas de couro, quando as tropas se aproximaram
munidas de toda espécie de armas, criadas especialmente para dispersar multidões.
Alessandra tropeçava enquanto corria vestida de seu skin-jeans verde, manchado pelos jatos
de espuma catalisada especialmente para esse tipo de evento. Como valquírias de Wagner
apossadas da fúria de Fenris, em meio ao Ragnarok de Edda.
Como novas filhas de Peneu a fugirem de velhos Phebos.
Couraças em riste, tacapes hightec descarregando faíscas invisíveis
de uma tensão crescente querendo cessar a tensão reinante, em vão. Pois transpassavam, os
outros estudantes, pintados de verde-amarelo, toscas barricadas improvisadas pelas forças
policiais nos limites que separavam o Congresso Nacional da multidão. O céu se iluminava
com riscas avermelhadas, criadas pelos tiros de morteiros e pelos fogos que tornavam a cena
uma pintura renascentista de Guerra e Paz de Liev Tostói. Adidos do curso de Literatura
atiravam sacos de tinta verde e amarela a esmo, salpicavam os escudos dos policiais que
retrocediam a coluna armada, enquanto os estudantes cantavam em coro com desdém:
- Não sabes de quem foges, por isso, insana, foges. Sou senhor de Delfos e de Claros, de
Tenedo e Pátara. Júpiter é meu pai; o futuro, o passado e o presente desvelo!
Já não havia muito que ser feito, pois afluíram de todos os pontos do país, jovens com um
único objetivo, tomar a força ao congresso nacional. Não que disso se soubesse algo, nos dias
em que intermináveis caravanas cercavam a capital, obstruindo avenidas, acampando-se sobre
gramados e até em meio das ruas. Trouxeram, por medida de segurança, tropas destacadas de
Goiânia e de Mato grosso do Sul, pousaram seis jatos carregados no aeroporto civil de Brasília,
mas não havia uma guerra, não havia uma invasão estrangeira. Mas havia uma indisfarçada
determinação nos rostos quase que flamejantes de quase dois milhões de adolescentes,
munidos de milhares de cartazes, divididos em centenas de grupos que serpenteavam
aparentemente sem rumo pela capital até que em dado instante se enfileiraram como colunas
de uma centúria romana e ficaram dispostos em completo silencio. Um murmúrio da multidão
interrompia a cena, os literatos, como seriam posteriormente chamados gritavam palavras
cortantes:
- Plantaram no jardim de Delphos, ervas de sabores mortos, essas árvores de Claros, vinhas de
arrogância entre as flores da Tenedo! Surgiram as ervas do roubo, brotaram os frutos de
Pátara! Eis que jardim tornou-se mausoléu e quem dele cuidava, fantasmas! Avante filhos do
amanhã, porque chegada é a noite, de arrancar as ervas e renovar as suas sementes!
Na porta do senado o velho segurança olhava aterrorizado à multidão que gritava. Em dado
instante ouviu sibilante, distante, mas límpida a misteriosa frase:
- Vós sabeis com quem lutais, por isso, insanos, lutais. São eles senhores de Delfos e de Claros,
de Tenedo e Pátara. A Júpiter chamam de pai; o futuro, o passado e o presente desvelam!
Os céus se romperam com os gritos e até os mais corajosos soldados, vestidos de armaduras
especiais, naquela noite, conheceram o medo.
As manifestações tomaram conta do país seis dias antes das eleições para presidente. As
campanhas políticas estavam indo de vento-em-popa, o país seguia com algumas crises
partidárias e os escândalos de sempre, incluindo novas revelações sobre conduta anti-ética de
duas pessoas próximas a um dos principais candidatos daquele ano.
Até que as imagens da truculência impetrada sobre um grupo de vinte e dois adolescentes do
colégio Pedro Segundo foram divulgadas em centenas de vídeos pelas redes sociais do país. O
que era uma pacífica manifestação, com pequenos cartazes pintados à mão, transformou-se
numa guerra urbana na Central do Brasil. Os noticiários não deram a devida importância ao
evento, mas a cena em que uma das meninas era puxada pelo longo rabo de cavalo e jogada
no chão por um policial, absolutamente despreparado para lidar com a situação, foi revisitada
milhões de vezes nos três últimos dias.
Alessandra da Matta Cruz e Serra era a moça que agora ia à frente da multidão, com os
cabelos soltos e pintados de azul, o rosto com uma tintura branca, hasteando uma velha
bandeira que pertencera a seu bisavô e que um dia estivera estendido na residência de Dom
Pedro Segundo, conforme seu as velhas lendas e histórias recontadas de geração em geração,
sobre a amizade que seu bisavô tinha granjeado com o antigo regente. Por isso a bandeira
tinha aquela aparência tão velha, tão cheia de manchas. Fora testemunha dos tempos do
império e agora tremulava em sua derradeira missão.
Coronel Leopoldo Guimarães, capacitado homem a frente das forças de contenção diante do
Congresso, ouviu claramente o rompante extremo:
- Aqui habitam eles, Senhores de Delfos e de Claros, de Tenedo e Pátara. Que a Júpiter
chamam de pai; que ao futuro, o passado e o presente desvelam!
Não passareis!
Jatos de água bruta dispersavam a multidão, inutilmente, a massa de jovens gritando não se
importava e as ordens para evitar o confronto e a violência diante de milhões de celulares
filmando cada cena e pelo menos sete grandes cadeias televisivas presentes, disciplinavam
atitudes.
E além do mais, era uma multidão composta de jovens e de adolescentes. Entretanto, as
ordens, antes vagas, tornaram-se austeras e tirânicas. Não poderiam entrar, ainda mais porque
aquela era a hora de uma sessão extraordinária. Tomados de surpresa, se encontravam
duzentos e doze deputados, cercados, sem ter ideia do que iria acontecer. Os eixos
monumentais estavam travados de fortes barricadas policiais. Contudo, havia pelo menos um
milhão de adolescentes na praça dos Três Poderes, fora numero incontável destes nos
gramados à frente do Congresso.
Havia alguns equipamentos de som de potencia aparentemente ilimitada, espalhados e
camuflados. Quarenta carros modificados com sistemas de som auto-motivo que deveriam
concorrer em feiras de som nacionais, interligadas por uma rede de operadores camuflados e
com microfones dispersos, com tamanha sensibilidade que a respiração dos líderes rugia como
o Niágara em dia de enchente...
Mas, o que mais irritava era que os microfones iam de boca em boca,
e tinham combinado que falariam em trechos literários, em aforismos e palavras tão
anacrônicas que era difícil sua compreensão.
E o pior era ter que ouvir Ovídio, o velho poeta
romano.
O velho verso de Metamorphose sendo propositalmente metamorfoseado a cada
nova comunicação.
Então se curvaram todos.
O ruído de microfonia encheu o ar enquanto dois milhões de jovens abaixavam-se
reverentemente. Menos uma jovem. A trezentos metros do Congresso uma bandeira velha
tremulava nas mãos enluvadas de Alessandra.
E só ela restava de pé. Sua voz soava como um
lamento, mas o verso podia ser ouvido até nos corredores mais internos do Congresso:
- Senhores de Delfos e de Claros, de Tenedo e Pátara. Trago para vós uma novidade. Vosso pai,
Júpiter, mandou-nos avisar-vos. Já não sois mais senhores. Hoje, vos tomamos Delfos e Claros,
Tenedo e Pátara. E a filha de Peneu mandou vos dizer:
- E eu com isso, Phebo?
E dito isso, levantaram três milhões de cabeças. E numa correria desenfreada tomaram ao
Congresso Nacional. As eleições foram atrasadas porque as negociações para retirar os jovens,
munidos de sanduiches, levaram alguns dias. Os duzentos e doze deputados saíram nus,
pintados de verde e amarelo, na manhã seguinte. O amanhã havia começado mais cedo que se
supunha para a pátria brasileira.
Welington Corporation
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